sexta-feira, 17 de maio de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
Manejo Sustentável de Pastagens
Republicamos aqui esta interessante matéria sobre manejo sustentável de pastagens, que nos repassa o companheiro José Silva, coordenador do Projeto Natureza Viva do vale do Guaporé.
Manejo Sustentável de Pastagens – o que evitar e como fazer?
Autor: Jurandir Melado - Eng. Agrônomo, Professor da UFMT (aposentado), consultor e autor de livros sobre Manejo Sustentável de Pastagens.
Fonte: ruralban
A pecuária brasileira alcançou nas últimas décadas junto com a relevância econômica, a incômoda fama de grande vilã do meio ambiente. Motivos para isso não faltaram! A pecuária foi preferentemente a atividade inicial em quase todas as frentes de abertura das fronteiras agrícolas. Com isso, granjeou a fama de destruidora das florestas e recentemente, de grande responsável pelo aquecimento global, por contribuir com o aumento da camada de gases de efeito estufa, originados principalmente na fase de derrubada e queima da floresta para a formação das pastagens. E o problema continua: com um manejo inadequado, as pastagens se degradam, resultando na redução da capacidade de suporte, gerando a demanda por desmatamentos de novas áreas para a manutenção ou ampliação da atividade. Áreas degradadas, com escassa cobertura vegetal se transformam em verdadeiros fornos e espelhos, absorvendo a radiação e devolvendo-a, ao espaço na forma de calor.
Estabeleceu-se, principalmente, na Região Amazônica – um círculo vicioso cruel: desmatamento – formação de pastagens – pastagens mal manejadas – degradação e perda da capacidade – desmatamento de novas áreas. Com isso, o Brasil conta hoje com um enorme estoque de áreas de pastagens degradadas e/ou subutilizadas que, em cálculos conservadores, somariam pelo menos, cerca de 100 milhões de hectares. A simples recuperação e a utilização adequada dessas pastagens degradadas, bastariam para dobrar a produção pecuária brasileira, sem a derrubada de mais nenhuma árvore.
Com os naturais hábitos do pastejo seletivo e do caminhar constante, em regime de pastoreio contínuo em pastagens extensas, os bovinos se transformam em verdadeiros predadores da pastagem e na sequência, do solo e do meio ambiente. Mas a situação pode ser diferente. Existe um sistema de manejo que promove a recuperação das pastagens, possibilita sua sustentabilidade, tendo também o efeito de multiplicar por três a produtividade (capacidade de suporte). Necessitando de áreas menores para a mesma produção pecuária, são disponibilizadas áreas para a recuperação ambiental de APPs e Reservas Legais e/ou utilização para outras atividades agrícolas. Está aí o caminho para a redenção da pecuária, livrando-a da pecha de vilã do meio ambiente.
O que evitar ou substituir para evitar que as pastagens se degradem e tenham redução da produtividade?
O pastoreio contínuo (na realidade a ausência de manejo!) e os vários tipos de pastoreio rotativo simples, realizado sem o necessário embasamento técnico-científico, são os manejos a serem evitados. Esses sistemas, em algumas situações, podem até satisfazer as necessidades do gado e do pasto, mas nunca ao mesmo tempo.Devemos evitar sistemas de manejo inadequados!
No pastoreio contínuo, o gado promove desfolhas sucessivas da forrageira, não permitindo que ela alcance o clímax do crescimento vegetativo, reduzindo a produtividade. Com baixa lotação (poucos animais em áreas extensas) para o gado, não é um mau negócio, pois ele irá, sempre, colher as pontas do capim. Mas, para saúde e a produtividade do capim, será sempre péssimo, pois não permitirá o acúmulo de reservas que garante uma rebrota vigorosa após o pastejo e o capim estará sempre sendo colhido antes de completar seu desenvolvimento.
No sistema extensivo, o gado chega a caminhar 10 km por dia, compactando o solo, destruindo a pastagem com o pisoteio e gastando energia que poderia ser canalizada para a produção. Esse constante caminhar do gado cria trilhas que facilitam a movimentação das águas das chuvas, acelerando a erosão. Quanto ao pastoreio contínuo, soma-se o superpastejo (excesso de animais), como é comum acontecer, e a pastagem entra em degradação mais rapidamente, começando com a diminuição do porte das forrageiras (partes aéreas e raízes), a capacidade de suporte decresce progressivamente, aparecem as calvas (áreas descobertas) e a desertificação é o estágio final. Pode parecer um exagero ou dramatização, mais esse é o processo de formação da grande maioria dos desertos existentes no mundo!
Quanto ao pastoreio rotativo simples, sua maior limitação é o número reduzido de piquetes ou parcelas, que não permite que, de modo simultâneo, o pasto tenha um período de repouso, longo o suficiente, para que possa atingir seu desenvolvimento ideal e um período de ocupação curto, de forma a impedir que o gado coma a brotação nova e pouco produtiva da forrageira. Os conceitos de repouso e ocupação constituem a base das duas principais “leis universais do pastoreio racional”, que serão explicitadas adiante. Considero o desconhecimento dessas leis pelos produtores e técnicos que se dedicam à pecuária como o fator que mais concorre para a degradação e a baixa produtividade das pastagens.
Se quisermos mudar algo, temos que fazer algo novo! Ou seja: mudar o sistema de manejo! Não tenho dúvida alguma que o melhor e mais perfeito sistema de manejo de herbívoros a campo, nos dias atuais, é o Pastoreio Racional Voisin (PRV ou Sistema Voisin). Estou convicto, também, que qualquer sistema que surgir no futuro que seja melhor que o PRV, será um aperfeiçoamento ou detalhamento. Este é o caso do sistema a que me dedico há mais de 20 anos que associa o Pastoreio Voisin com o Sistema Silvipastoril, conhecido por Manejo de Pastagem Ecológica – Sistema Voisin Silvipastoril.
O que diferencia o Pastoreio Voisin do pastoreio rotativo simples: o PRV é conduzido com estrita observância às “Quatro Leis Universais do Pastoreio Racional” de André Voisin e o pastoreio rotativo simples, quase nunca!
O que determinam, então, essas “Leis” que fazem a diferença?
A genialidade destas leis é que elas explicitam de forma clara, regras naturais e óbvias, mas nem sempre compreendidas a aplicadas, que atendem simultaneamente as necessidades do gado e das pastagens. Das quatro leis, as duas primeiras se preocupam em proteger o pasto e as outras são voltadas para os animais. São elas:
1. Lei do Repouso, ou primeira lei do pasto: Determina que, após cada utilização, a pastagem tenha um repouso suficientemente longo que possibilite à pastagem duas condições básicas: 1)- o acúmulo de reservas de nutrientes, nas raízes e partes baixas do caule, que possibilita um rápido início da rebrota e 2)- passar pelo período de maior crescimento diário de massa verde (labareda de crescimento);
2. Lei da Ocupação ou segunda lei do pasto: Impõe que o período de ocupação da pastagem seja suficientemente curto de forma a não permitir ao gado colher brotação nova do pasto surgida após a sua entrada na parcela.
3. Lei da Ajuda ou primeira lei dos animais: Recomenda que os animais com exigências nutricionais mais elevadas, recebam o alimento que necessita em quantidade e qualidade.
4. Lei dos Rendimentos Regulares ou segunda lei dos animais: Para que tenham rendimento regulares, seja em produção de leite ou ganho de peso, os animais não podem permanecer mais que três dias na mesma parcela de pasto. Os rendimentos serão máximos e regulares, se a permanência não for superior a um dia.
O cumprimento das duas primeiras leis garante que a pastagem terá o máximo de sua produtividade potencial e se tornará sustentável. As outras proporcionam ao gado a alimentação que necessita para uma produção máxima e regular. Notem que só a última lei especifica valores fixos, já que a duração dos períodos de repouso e de ocupação depende de especificidades referentes à época do ano, posição geográfica, índice pluviométrico, fertilidade do solo, etc., podendo variar caso a caso.
Entre as inúmeras vantagens do PRV está a capacidade de elevar a fertilidade do solo. Isto ocorre pela “parcagem”, ou deposição de dejetos, que é grandemente ampliada pela intensificação. Façamos os cálculos: com a lotação de ½ UA/ha em pastoreio contínuo, teríamos por ha/dia, 20 kg de dejetos ou 7300 Kg/ha em um ano. Com o PRV, com 100 UA/ha, teríamos 4000 kg em um dia de permanência do gado no piquete. Como o gado passa em média 8 dias/ano em cada piquete, teremos em 1 ano nada menos que 32.000 kg de dejetos a adubar as pastagens, em 8 “aplicações” distribuídas de forma homogênea. Quando se sabe que parte significativa dos nutrientes fornecidos no sal mineral é eliminada pelo gado por meio dos dejetos, percebemos que, com o PRV, estamos, permanentemente, adubando nossos pastos.
No passado recente, a maioria dos técnicos ainda desaconselhavam a arborização das pastagens, alegando que as árvores competiriam com as forrageiras na utilização dos nutrientes disponíveis. A experiência, porém, mostrou que ao invés de disputar nutrientes com as forrageiras, as árvores são verdadeiras “bombas de adubação” retirando nutrientes de camadas profundas do solo e depositando-os na superfície através das folhas e galhos que caem. Existem inúmeras outras vantagens: sombreamento que melhora o conforto térmico e também resulta em maior produção animal, efeito quebra-vento que mantém a umidade e melhora do micro-clima, melhor equilíbrio ambiental, entre outras, além é claro, das possibilidades econômicas dos produtos, advindas da comercialização das próprias árvores.
O Sistema Silvipastoril se tornou assim uma unanimidade. Porém, com todas as suas vantagens, as árvores não bastam para garantir a sustentabilidade de uma pastagem, que, mesmo assim, entrará em degradação se o manejo for inadequado. Porém, quando o Sistema Silvipastoril é associado ao sistema de Pastoreio Racional Voisin, chega-se a um consórcio perfeito que agrega as necessidades básicas do gado, da pastagem e do solo: o Manejo de Pastagem Ecológica. Nesse sistema, a cooperação entre os três elementos é total e cada um tem um efeito positivo sobre os outros dois. A consequência é uma alta produtividade e bem estar animal aliado à evolução e sustentabilidade da pastagem e à preservação do meio ambiente.
A experiência tem mostrado que uma pastagem qualquer, mesmo em severos estágios de degradação, pode ser convertida em uma Pastagem Ecológica no curso de poucos anos, com aplicação dos seguintes procedimentos: implantação de um projeto de Pastoreio Racional Voisin, arborização adequada, diversificação das forrageiras e exclusão de procedimentos inconvenientes, como as queimadas, o uso de adubos altamente solúveis e as roçadas sistemáticas.
Como fazer a implantação do Manejo de Pastagem Ecológica?
Considero o “como fazer” tão importante quanto “o que fazer”, pois muitas idéias brilhantes na teoria, fracassam na hora da prática por falta de habilidades específicas nos responsáveis pela elaboração e implementação dos projetos. Porém, só o detalhamento deste item comportaria um manual com dezenas de páginas, não sendo viável fazê-lo no contexto deste artigo.
Há alguns anos, ao decidir que a divulgação da Pastagem Ecológica seria a minha “missão de vida”, estruturei e passei a oferecer um curso de capacitação para técnicos e produtores que contempla os aspectos teóricos e práticos do Manejo de Pastagem Ecológica. Veja alguns conselhos de ordem genérica:
• Elaboração do projeto: O tempo e dinheiro gasto em um bom projeto serão amplamente compensados em economia na hora da implantação e em funcionalidade no manejo posterior.
• Número de piquetes: Não se iludam: com poucos piquetes será sempre muito difícil, senão impossível, atender ao mesmo tempo a LEI DO REPOUSO e a LEI DA OCUPAÇÃO. Quanto maior o número de piquetes, melhor! Nunca menos que 40.
• Opção pela cerca elétrica: Não existe melhor forma de se fazer a divisão das pastagens que as cercas elétricas. Deve-se ficar atento, porém, na hora da compra dos componentes, pois muitas peças industrializadas disponíveis no mercado podem ser substituídas com vantagens funcionais e econômicas por peças artesanais. São exemplos, as chaves interruptoras, os punhos para porteiras e as cercas móveis.
• Arborização das pastagens: Ao arborizar uma pastagem em uso, é imprescindível fazer a proteção das mudas para evitar que os animais as destruam. O uso de cercas elétricas temporárias é a melhor forma de proteção, tanto de mudas individuais ou pequenos grupos de árvores ou de bosques e faixas arborizadas.
domingo, 3 de março de 2013
A Rede de Agroecologia Terra sem Males
Reunião da Rede de Agroecologia Terra
Sem Males
Nos dias 20 e 21 de fevereiro de 2012
estivemos reunidos no centro de formação em Ji-paraná a Rede de Agroecologia
Terra Sem Males.
A primeira coisa muito positiva
nesses dois dias de encontro foi o entendimento de que a construção da rede nada mais é que o arrebanhar,
o ajuntar, o reunir experiências, experimentos aprendizados acumulados pelos homens
e mulheres que trabalham a terra. E a partir da experiência desenvolveu a crença
e a consciência da necessidade de estabelecer uma relação de respeito com a
terra e todas as formas de vida. Nosso processo produtivo precisa ser diferente
do que prega e orienta o modelo maldito
e ganancioso dos que trilham os caminhos
do agronegócio.
Então vemos ai dois projetos
antagônicos, duas visões completamente diferentes. A primeira, que aprendemos
pelas estradas da agroecologia é justamente este respeito, este amor pela mãe
terra, jamais envenená-la. Buscar
constantemente alternativas de como naturalmente
cuidar das plantas, dos seres humanos e
dos animais, ir buscando no dia a dia entender profundamente esse equilíbrio que
é realmente o centro da questão.
O que tem acontecido também de
muito positivo nesta articulação da rede é
o fato das organizações estarem
participando. Organizações que tem respeito e importância nas lutas do povo
como MST, CPT, MPA, SINDICATOS e associações de agricultores.
Outro debate sobre o qual devemos
apropriar é a questão do selo orgânico sempre vista tido como uma algo muito
burocrática e muito difícil pra ser alcançada. Ao que nos pareceu pelo relato
de pessoas do governo é que agora temos possibilidade de conquistar com mais
facilidade e sem burocracia com a chamada adesão participativa. Neste caso os
próprios agricultores serão fiscais um dos outros. É fundamental as
organizações decidirem se tomará as rédeas nesse momento importante da
caminhada.
O companheiro Mauro Porto fez no inicio
dos trabalhos uma análise de conjuntura questionando que a base do governo de
Lula e Dilma é praticamente do agronegócio. Também deixou claro, ogronegócio é
muito mais do que um modelo para a agricultura, faz parte de um projeto de sociedade
a serviço do capital. Outra novidade que foi oficializada o coordenação da Rede
Terra Sem Males que foi composta por um representante de cada organização
presente.
.......E
a luta continua.
José Pinto de Lima
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Famílias do projeto continuaram realizando encontros
![]() |
| Grupo de agricultores do Terra Sem Males. |
Na assembleia do Projeto, a Irmã Maria Ozânia, da equipe de coordenação da CPT Rondônia, apresentou a campanha contra o trabalho escravo. A situação grave dos trabalhadores rurais sem terra, que acabam caindo por necessidade nas mãos de pessoas sem escrúpulos, sendo sometidos a moderna escravidão: Promessas de trabalho enganosas, com trabalho forçado, em condições de alimentação, alojamento e tratos degradantes, dívidas forjadas, intimidações, violência e ameaças...
Todo isso não é somente história do passado de Rondônia, ainda triste realidade de nossos dias, como testemunham pessoas chegadas na CPT Ro e fiscalizações realizadas em nosso estado, que tem elevado a dezesseis o número de fazendas e de firmas de Rondônia que constam na "lista suja" do trabalho escravo.
Esta realidade do trabalho escravo nos remete a necessidade de terra e de reforma agrária, e esta a de formação agroecológica para os agricultores pode viver e se manter na terra.
O Projeto Terra Sem Males reuniu uma equipe privilegiada de famílias engajadas em trabalhar a terra e viver desenvolvendo a linha agroecológica. Apesar de muito dispersos territorialmente, eles valorizam especialmente os encontros realizados nas diversas localidades, com visitas aos sítios de algumas delas. isso possibilita ver na prática os trabalhos e experiências desenvolvidas.
A continuidade destas visitas ficou estabelecida, e contemplada em um novo projeto de agroecologia desenvolvido pela CPT RO. Ao final do encontro se marcou dois dias para realização deste encontro ainda este ano, em Mirante da Serra, para os dias 24 e 25 de março.
A possibilidade deles realizarem assessorias e acolher visitas, remuneradas, de outros agricultores interessados na agroecologia, também foi contemplada. A luta pela terra acha um dos seus entraves nas dificuldades dos agricultores em produzir de forma correta e sustentável.
Ainda no encontro foram relatadas novidades no trabalho: despolpadeiras, pequenas agroindústrias, equipamentos para feiras...
Também algumas dificuldades novas: Avanço de agronegócio, com plantio de soja regada com agrotóxico e destruição de meio ambiente nas proximidades, atrasos no pagamento do PAA (programa de aquisição de alimentos), etc.
Outras derivações relacionadas do Projeto Terra sem Males: as hortas do PAE, a Rede de Agroecologia Terra sem Males (que se reúne a próxima semana em Ji Paraná), as feiras de produtos sem veneno do MPA de diversas localidades, o projeto da Igreja Luterana em Cacoal... Também a CPT RO acompanha alguns grupos interessados em aprender sobre o tema em Porto Velho, Candéias do Jamari, etc.
Ainda vai ter encerramento do fundo rotativo que tem ajudado as famílias a fazer novos investimentos na linha agroecológica: despolpadeiras, novas agroindústrias, novas matrizes de cabritos, etc.
domingo, 16 de dezembro de 2012
O Terra Sem Males no Fórum Mundial Social Panamazônico em Cobija
O Projeto Terra sem Males pela CPT RO organizou uma oficina de agroecologia no Fórum Social Mundial de Cobija, Bolívia, o passado dia 29 de Novembro de 2012. A oficina acolheu uns quarenta participantes, provenientes de diversos países. Aqui apresentamos o relatório elaborado.
RELATÓRIO DA OFICINA DE TROCAS DE EXPERIÊNCIAS DE AGROECOLOGIA
RELATÓRIO DA OFICINA DE TROCAS DE EXPERIÊNCIAS DE AGROECOLOGIA
VI FORUN
PANAAMAZÔNICO
COBIJA-BO, 29 DE
NOVEMBRO DE 2012.
Objetivo
Realizar uma oficina de agroecologia, organizada pela CPT Rondônia através
do Projeto Terra Sem Males, durante o VI Fórum Panaamazônico.
Objetivos Específicos
Valorizar
e divulgar as experiências e práticas de agroecologia existentes; Fortalecer a
agricultura familiar; Incentivar a produção agrícola sem uso de veneno.
Assuntos
Experiências
de agroecologia que deram certos ou não e testemunho de agricultores familiares
que já vem desenvolvendo essa prática; as bases da agroecologia, como produzir
alimentos sem veneno; compostagem, queima de ossos e sal mineral;
Introdução
A
CPT/Ro se fez presente no VI Fórum Panamazônico, em Cobija na Bolívia, com o
intuito de participar das discussões
sobre a Amazônia. O Fórum contou com a presença de representantes dos
nove países que compõe a Amazônia Legal e de todos aqueles que veem a questão
Amazônica como uma questão de interesse mundial. Ficou a cargo da CPT/RO a
realização de uma Oficina, cujo tema: Experências Agroecológicas, a ser
executada pelos agricultores que participam do Projeto Terra Sem Males. Projeto
este realizado pela CPT, e que serviu como um berço para a Agroecologia, mas
essa criança cresceu, esses agricultores produzem e vivem de forma
agroecológica e querem passar suas experiências nesse processo afim de
disseminar conhecimento, e assim incentivar outras pessoas a conhecerem e
viverem a agroecologia.
Relato
A oficina iniciou-se na manhã do dia
29, atraindo um público de aproximadamente 40 pessoas, sendo todos do Brasil,
com exceção de uma pessoa da Bolívia. Se fez presente, pessoas do Acre,
Amazonas, Goiás, Mato Grosso e Pará, o público maior foi de rondônia. Todos e
todas se apresentaram e foram recebidos em rítmo de música. A oficina
proseguir-se-á com uma troca de experiências, um diálogo entre os
participantes, contando com o depoimento dos produtores agroecológicos.
Zé
Pinto, em suas palavras enfatizou a visão dos movimentos sociais sobre a
agroecologia, devemos ter muito cuidado, pois a agroecologia pode ser falada e
defendida até mesmo pelos representantes do capital. A visão dos movimentos é a
de fortalecimento da agricultura familiar, e de produção de alimentos
acessíveis, e que possam corresponder aos anseios do povo pobre e sofredor, por
alimento, e alimento saudável.
O
agricultor José Silva (do Projeto Natureza Viva), iniciou sua fala perguntando
qual o significado da palavra agroecologia, essa palavra bonita o que diz para
nós? Agroecologia quer dizer casa, nossa casa, como estamos cuidando da nossa
casa? Ao começar contar sua trajetória
de agricultor disse que, a introdução do veneno após a Revolução Verde, a
desvalorização e posterior perca dos costumes e tradições que os nossos antepassados
viviam. Sentiu e viveu as transformações desse processo, quando em fim teve a
oportunidade de participar de um curso, onde lhe fora apresentado a proposta da
agroecologia, e pode visualizar os prejuízos, as consequências desse modelo de
produção convencional.
Com
essa experiência José Silva, junto de sua Família decidiram dizer não ao modelo
convencional, ao agrotóxico, e começou a trabalhar a agroecologia, a se
apropriar dos instrumentos, de suas bases para produzir.
Explica
a proposta do modelo convencional, e os meios que temos para não tornar
necessário seu uso. Temos meios que a própria natureza nos oferece para fertilizar
nossos solos, sem nos tornar dependentes das grandes indústrias produtoras de
insumos. Um exemplo do que se utiliza são as leguminosas, em especial a mucuna
preta, consorciada, ou utilizada no pré-plantio. Quando iniciei o uso da
leguminosa, nosso solo precisava de 06 a 07 toneladas de calcário, usando
leguminosa, em 04 anos conseguimos zerar essa taxa. As leguminosas são nosso
calcário que a gente precisa, são nossas amigas e eu não as abandonos jamais.
Eu sou tipo morcego, aonde eu vou levo sementes e procuro também levar sementes
pra casa.
Com
a participação da plenária uma exposição buscou evidenciar o processo que nos
desestruturou, e tornou grande parte dos agricultores dependentes de insumos.
Um processo apoiado pela mídia, e que as pessoas se tornaram adeptos pela
sensação de facilidade que ele oferecia. Só que as consequências vieram ao
mesmo tempo em que esse modelo convencional ganhava espaço a população adoecia.
José Silva ainda acrescenta a
importância de terem um grupo local com trabalhos voltados a agroecologia, com
um trabalho em especial com o café. Sobre o modo de utilização das leguminosas,
elas têm suas especificidades quanto a que cultura vai preceder ou dividir
espaço, a qualidade da terra, e a espécie de leguminosas.
Na
experiência citada por Roberto monitor da EFA de São Francisco do Guaporé, o
trabalho da escola está voltado à produção agroecológica. Sobre as leguminosas
explica serem elas aliadas a todos que desejam praticar uma agricultura
ecológica e sustentável, por realizar a recuperação do solo, que muitas das
vezes já foi atingido por esse convencional e se encontra degradado. Assim como
o ser humano que se tornou um ser
químico. Ainda cita a importância da manutenção do equilíbrio natural, existem
as receitas naturais, que podem estar sendo utilizadas, mas é importante
perceber que a natureza não é nossa inimiga. Nesse momento foram sendo realizadas
trocas de receitas e experiências.
Letícia:
expõe a necessidade de que as pessoas busquem realizar suas próprias experiências,
pois o que é praticado em um determinado lugar pode não se adequar a realidade
de outro. As receitas são uma base, mas não é algo imutável, é preciso utilizar
aquilo que se tem a disposição.
Américo
(agricultor do Projeto Terra Sem Males) reafirma a importância do agricultor se
tornar cientista dentro de sua propriedade, a aproximação e observação da
natureza, e como isso valoriza o seu trabalho. O agrotóxico, não mata apenas
plantas e insetos, mata pessoas, mata a cultura, cria o individualismo, e a
descrença no conhecimento popular. “A beleza não está no objeto, mas nos olhos
de quem a vê”, as vezes olhamos a natureza, as plantas, como mato, algo
insignificante. Quando você se aproxima da agroecologia, passa a ver Deus em
todas as coisas, e enxergar através desse olhar diferente a beleza e a
utilidade de tudo que há na natureza. Os conhecimentos populares foram
desvalorizados e desacreditados, porque não oferecem valor para o sistema
capitalista, e o que a ele interessa é o valor financeiro da coisa. Nesse
sentido assumiu-se o compromisso de realizar as feiras livres, para oferecer
aos consumidores aquilo que tem disponível em suas propriedades. Hoje são 23
famílias envolvidas no processo, que passa por um caixa único e avaliação do
grupo. A importância dessa experiência não está necessariamente no ganho
financeiro, mas na troca de produtos entre os agricultores, todos têm de tudo
para se alimentar, conhecendo de onde vem cada produto. A união de produtores,
além de possibilitar a realização da feira, como uma fonte de renda, ainda
permitiu agregar valor aos produtos, através do beneficiamento. Outra vantagem
foi o envolvimento das famílias no processo produtivo, crianças, mulheres,
jovens e adultos participam das feiras.
Na plenária, a exposição da condição
da Bolívia, onde há uma produção quase que exclusivamente convencional, com a
utilização de químicos. Particularmente entende que a produção orgânica é o
melhor para a saúde. Assim tem a intenção de implantar um projeto nesse
sentido, apesar das dificuldades, por estarem em uma área extrativista, sem
incentivos a produção. Lamenta que não houvesse mais pessoas de outras nacionalidades
presentes para conhecer a proposta agroecológica. Apesar da produção orgânica
no país ser quase que insignificante, o importante é que estão iniciando,
admira a capacidade de utilização da terra de alguns países, em Bolívia não
estão tendo esse aproveitamento, e entende que a terra é para produzir.
Lucimar
(MST) trás a experiência de recuperação de uma área degradada. Para os
camponeses produtores, precisam separar o que é agroecologia e agricultura orgânica,
pois esta pode ser realizada em qualquer canto, por qualquer um, já a agroecologia,
é um modo de vida, que visa a garantia da sustentabilidade do agricultor e da
terra. A agroecologia depende de observação da natureza para compreensão e
utilização de acordo com as necessidades, e possibilitando um equilíbrio
natural.
A
agroecologia tem grande importância também para a conquista da terra, criando
uma nova perspectiva para aqueles que estão na busca pela terra. Não temos
necessidade de utilizar produtos de mercado, temos como utilizar o que a natureza
nos oferece.
Para
Zé Pinto, fazer agroecologia depende de amor a terra, a natureza e as outras
pessoas, lutaram contra um sistema que torna nossos aliados inimigos, nossa
visão frente à natureza precisa ser de aliados, companheiros. Por isso todo o
trabalho inicia pela recuperação e busca de equilíbrio do solo.
Dona
Fátima (Terra Sem Males – Cacoal), inicia uma apresentação dos trabalhos que
vem sendo realizados por sua família e agricultores na região de Cacoal
Rondônia, a fim de divulgar o que vem sendo praticado. Apresentou imagens das
oficinas realizadas com as famílias.
Houve
várias intervenções da plenária como dúvidas com receitas e de como fazer uma
compostagem, como fazer queima de ossos...
Os
expositores foram respondendo cada dúvida, conforme suas experiências.
Por
ultimo, Roberto falou sobre a importância de se alimentar corretamente, usando
frutas e verduras. A importância de cada fruta e a forma que elas devem ser
comidas. Um exemplo errado de ser comer a fruta é comê-la após as refeições como
sobremesas. As frutas devem ser comidas de preferência antes das refeições,
assim como as verduras. Não se deve ingerir líquido gelado, nem durante, nem
após as refeições, o ideal é ingerir algo quente após as refeições, como o chá
por exemplo.
Foi perguntado se o café poderia ser
ingerido após as refeições, ele respondeu que sim, por ser quente.
Foi
sugerido pela plenária em está formando uma rede de agroecologia, onde eles
possam trocar essas experiências e aplicá-las.
Foi
feita uma avaliação da oficina onde todos disseram que foi um momento muito
rico de experiências e aprendizado, e que essas experiências têm que serem
ampliada.
Em
clima de alegria e com a oração do Pai Nosso, rezado em circulo, encerrou-se a
oficina.
Por: Liliana Won Ancken dos Santos e Maria Petronila Neto
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Abertura do VI Fórum Social Panamazônico em Cobija, Bolívia, marcado pela marcha dos participantes.
VI FÓRUM SOCIAL PANAMAZÔNICO COBIJA, BOLÍVIA - 28 novembro - 1 dezembro 2012
Em 28 de novembro de 2012, inicia-se o VI Fórum Panamazônico com credenciamento e marcha da Ponte da Amizade até o Parque Piñata, onde realizou-se a abertura oficial do evento com musicas e apresentações culturais. Também foi feito um apelo de paz sobre a problemática entre Israel e Palestinos, que tem vitimado muitas pessoas, de forma violenta. Foi manisfesto o apoio aos Palestinos frente a situação.
Estão participando do Fórum pessoas dos nove países que compõem a Amazônia Legal, além de demais interessados. O Estado de Rondônia vem representado por um grande grupo de participantes: CPT ( entre estes agricultores do Projeto Terra Sem Males), também da RECID, do MST, do MAB, CIMI, e do Madeira Viva, além de índigenas, e ribeirinhos.
O Projeto Terra Sem Males vai proporcionar um momento de troca de experiências sobre a agroecologia a ser realizada na manhã do dia 29, com agricultores onde estes estarão expondo suas experiências e perspectivas quanto a agroecologia.

O mundo, cada vez mais injusto, consumista e que a desigualdade é a manifestação de uma crise de civilização vasta (econômica, financeira, cultural e ambiental).Hajam novas formas de produção, consumo do governo, e da convivência entre pessoas, entre pessoas e novas formas de viver com a natureza. Enfrentar esses desafios só será possível com a unidade das forças sociais que buscam práticas e mudança estrutural em direção a uma nova maneira de viver.
A humanidade virou o olhar para a Amazônia a reconhecer o seu papel na vida do planeta. Além de uma biodiversidade monumental, sua capacidade de capturar carbono e sua contribuição para o ciclo da água, também abrange uma rica cultura de comunidades indígenas e camponesas. Mas a Amazon também atrai o capital especulativo e extrativistas visto como recurso inesgotável.
A Amazônia é uma fase da vida de seus povos em harmonia com a natureza e uma rica herança cultural, mas também um palco de apresentação do seu povo e da violação dos seus direitos. Com o poder das aldeias da Amazônia também será um cenário de resposta.
"Para a unidade dos povos da Amazônia para transformar o mundo"
| Abertura do panamazônico. |
O sexto Social Pan-Amazônico Fórum será dividido em quatro temas:
1. Colonialismo e neo-desenvolvimentismo extrativismo
2. Impacto da crise global sobre a Pan-Amazônia: caminhos e alternativas
3. Defesa e cheio exercício dos direitos na Pan-Amazônia
4. Arte, cultura, educação, comunicação social e luta no Pan-Amazônia.
TEMA I: colonialismo, neo-extrativismo e desenvolvimentismo
MESAS TEMATICAS:
Modelos de desenvolvimento e capitalismo verde no Pan
Megaprojetos e seus impactos sobre a vida dos povos da Pan
As alterações climáticas e a exploração da biodiversidade no Pan
Relação geopolítica nas regiões de fronteira no Pan
TEMA II: IMPACTOS DA CRISE GLOBAL EM Pan-a: ESTRADAS E ALTERNATIVAS
MESAS TEMATICAS
Multiculturalismo e Viver Bem
Integração e desintegração no Pan
Lutas anticapitalistas e de justiça social e ambiental
De Ciência e Tecnologia comunidades indígenas e tradicionais
TEMA III: Defesa e pleno exercício dos direitos EM Panamazônia
MESAS TEMATICAS
Formas de resistência e criminalização das lutas sociais
Fortalecimento e ampliação dos direitos humanos e da natureza no Pan
Lutar por autonomia, território e auto-determinação
O direito à cidade no Pan
TEMA IV: arte, luta cultura, comunicação, educação e social no Pan
MESAS TEMATICAS
Diversidade e Identidade Cultural na Pan-
As crianças e os jovens como agentes de uma nova sociedade
Educação Popular
Comunicação democrática e popular
OBS: maiores informações no blog :www.vifspaamazonico.blogspot.com
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Agricultores de Rondônia no Fórum Social Panamazônico de Cobija
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| Criação de minhocas para adubação natural da terra, da família de Hilário e Madalena, Foto do Projeto Terra sem Males. |
Eles tem organizado uma Oficina para uma Troca de Experiências em Agroecologia, convidando outros agricultores participantes um intercambio de sementes e de experiências nesta linha: Veja os convites em portugués e espanhol abaixo.
(convite em portugués)
PROJETO TERRA SEM MALES
COMISSÃO PASTORAL DA TERRA DE RONDÔNIA, BRASIL
OFICINA DE TROCA DE EXPERIÊNCIAS CAMPONESAS EM AGROECOLOGIA
Convidamos a participar duma oficina de agroecologia, proporcionando o intercâmbio de experiências e práticas entre agricultores, camponeses e comunidades tradicionais.
Objetivos Específicos:
Valorizar e divulgar as experiências e práticas de agroecologia existentes; Fortalecer a agricultura familiar;
Incentivar a produção agrícola sem uso de agrotóxico;
Descrição:
Haverá testemunho de agricultores sobre suas experiências (que deram certos ou não). Organizada por agricultores de Rondônia que já trabalham nesta área agroecológica há mais de dez anos, através do Projeto Terra Sem Males, buscam estender suas experiências e práticas às outras famílias agricultoras, camponeses e comunidades tradicionais que têm interesse por esta prática. Tendo como base os princípios da agroecologia e agricultura familiar que é a terra como local de trabalho e vida e não um fator de produção. As experiências vão sendo trocadas à medida que vai se aplicando na prática, como o modo de fazer a compostagem, a queima de ossos para o sal mineral, fertilizante natural, etc.
-Experiências de agroecologia que deram certo (ou não) e testemunho de agricultores familiares que já vem desenvolvendo essa prática;
-As bases da agroecologia, como produzir alimentos sem veneno;
-Compostagem, queima de ossos e sal mineral caseiro;
-As principais conseqüências do uso do agrotóxico;
-A crise ambiental planetária e a agricultura no Bioma Amazônico;
PARTICIPE E CONTE SUAS EXPERIÊNCIAS TAMBÉM!
(invitación en español)
PROJETO TERRA SEM MALES
COMISSÃO PASTORAL DA TERRA DE RONDÔNIA, BRASIL
INTERCAMBIO DE EXPERIENCIAS CAMPESINAS DE AGROECOLOGIA
Les invitamos a asistir a un taller sobre agroecología, con intercambio de experiencias y prácticas entre agricultores, campesinos y comunidades tradicionales.
Objetivos específicos:
Promover y difundir las experiencias y prácticas existentes de agroecología; Fortalecer la agricultura familiar;
Estimular la producción agrícola sin el uso de plaguicidas i venenos;
Descripción:
Habrá testimonios de agricultores acerca de sus experiencias (exitosas o no). Organizado por agricultores de Rondônia que ya están trabajando en esta área de la agricultura ecológica por más de diez años, a través del Proyecto Tierra sin Males, tratando de ampliar sus experiencias y prácticas junto con otras familias de agricultores, campesinos y comunidades que tienen interés en estas prácticas. Siguiendo los principios de la agroecología y la agricultura familiar, que tiene la tierra como un lugar de trabajo y de vida y no apenas como un factor de producción. Las experiencias se intercambian, por ejemplo, sobre la manera de hacer compostajes, de quema de huesos de sal mineral para el ganado, fertilizante natural, etc.
-Las experiencias de agroecología que funcionaron (o no) y los testimonios de las familias de agricultores que han estado desarrollando esta práctica;
-Las bases de la agroecología, como producir alimentos sin veneno;
-El compostaje, incineración de huesos y sal mineral casero;
-Las principales consecuencias del uso de plaguicidas;
-La crisis ambiental planetaria y agricultura en el Bioma Amazónico;
VENGA Y CUENTE TAMBIÉN SUS EXPERIENCIAS!
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