terça-feira, 28 de maio de 2013

Palestrante da 2ª Rondônia Rural Show, Padre Ton faz a defesa da agroecologia

Criticando o espaço da agroecologia misturada no evento do agronegócio de Rondônia, muitos agricultores orgãnicos rejeitaram a participação no espaço. Apesar disso reproduzimos matéria assinada pela assessoria do deputado Padre Ton:

"Palestrante na 2ª Rondônia Rural Show, evento realizado no Parque de Exposições em Ji-Paraná, o deputado federal Padre Ton (PT-RO) defendeu a Agroecologia durante explanação realizada no sábado (25) com o tema “Políticas Públicas para a Agroecologia e Produção Orgânica”. Estiveram presentes o secretário nacional da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Valter Bianchin; o delegado do ministério em Rondônia Genair Capelini; o secretário de Estado da Agricultura Evandro Padovani e o deputado federal Anselmo de Jesus (PT) entre outras autoridades. 

Os principais objetivos do seminário foram discutir o Plano Nacional de Agroecologia e produção orgânica que está em processo de criação, para apresentar sugestões, levantar os desafios e por fim constituir uma Comissão interinstitucional para reformulação e adequação da legislação estadual tendo como referência o Plano Nacional.

O seminário também destacou a importância da Rondônia Rural Show como vitrine para o agronegócio do Estado, trazendo a discussão da Agroecologia e da agricultura em suas diversas formas. As muitas experiências de Agroecologia no estado e as muitas dificuldades para os agricultores agroecológicos acessarem os programas de crédito foram os principais temas levantados. 

Padre Ton falou sobre seminário que ocorreu semana passada em Brasília, com representação de diversos estados brasileiros. Para o deputado, a agricultura familiar está em desvantagem em relação à agricultura empresarial no tocante a representatividade política: “São poucos os parlamentares que endossam essa causa, que defendem a agricultura familiar, em contrapartida são mais de 200 os parlamentares que defendem o agronegócio empresarial”. Para ele, os agricultores familiares também estão em desvantagem nas políticas de crédito, de assistência técnica e comercialização.

“A agricultura convencional degrada a natureza, contamina o solo, polui os rios, enquanto a agroecologia vai possibilitar manter a biodiversidade e, mais importante, a nossa alimentação”, destacou. Padre Ton lembrou o elevado índice de ocorrência de câncer nas pessoas em Rondônia que vão a Barretos (SP) fazer tratamento, com fortes indícios dessa incidência com a contaminação do solo, das águas e dos alimentos por agrotóxicos. Disse que em algumas cidades os mercados já separam os alimentos agroecológicos ou orgânicos dos demais, gerando encarecimento dos alimentos sadios.

O deputado disse que a Agroecologia encontra barreiras enormes, como bancos e assistência técnica, mas mesmo assim continua avançando com sua produção. Por fim, disse que estão sendo criados espaços, que é preciso aproveitar, como os programas do MDA, a parceria com a Fundação Banco do Brasil e os programas Produção de Aquisição de Alimentos e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)."
fonte assessoria padre ton.

terça-feira, 26 de março de 2013

Manejo Sustentável de Pastagens


Republicamos aqui esta interessante matéria sobre manejo sustentável de pastagens, que nos repassa o companheiro José Silva, coordenador do Projeto Natureza Viva do vale do Guaporé.

Manejo Sustentável de Pastagens – o que evitar e como fazer?

Autor: Jurandir Melado - Eng. Agrônomo, Professor da UFMT (aposentado), consultor e autor de livros sobre Manejo Sustentável de Pastagens.

Fonte: ruralban















A pecuária brasileira alcançou nas últimas décadas junto com a relevância econômica, a incômoda fama de grande vilã do meio ambiente. Motivos para isso não faltaram! A pecuária foi preferentemente a atividade inicial em quase todas as frentes de abertura das fronteiras agrícolas. Com isso, granjeou a fama de destruidora das florestas e recentemente, de grande responsável pelo aquecimento global, por contribuir com o aumento da camada de gases de efeito estufa, originados principalmente na fase de derrubada e queima da floresta para a formação das pastagens. E o problema continua: com um manejo inadequado, as pastagens se degradam, resultando na redução da capacidade de suporte, gerando a demanda por desmatamentos de novas áreas para a manutenção ou ampliação da atividade. Áreas degradadas, com escassa cobertura vegetal se transformam em verdadeiros fornos e espelhos, absorvendo a radiação e devolvendo-a, ao espaço na forma de calor.

Estabeleceu-se, principalmente, na Região Amazônica – um círculo vicioso cruel: desmatamento – formação de pastagens – pastagens mal manejadas – degradação e perda da capacidade – desmatamento de novas áreas. Com isso, o Brasil conta hoje com um enorme estoque de áreas de pastagens degradadas e/ou subutilizadas que, em cálculos conservadores, somariam pelo menos, cerca de 100 milhões de hectares. A simples recuperação e a utilização adequada dessas pastagens degradadas, bastariam para dobrar a produção pecuária brasileira, sem a derrubada de mais nenhuma árvore.

Com os naturais hábitos do pastejo seletivo e do caminhar constante, em regime de pastoreio contínuo em pastagens extensas, os bovinos se transformam em verdadeiros predadores da pastagem e na sequência, do solo e do meio ambiente. Mas a situação pode ser diferente. Existe um sistema de manejo que promove a recuperação das pastagens, possibilita sua sustentabilidade, tendo também o efeito de multiplicar por três a produtividade (capacidade de suporte). Necessitando de áreas menores para a mesma produção pecuária, são disponibilizadas áreas para a recuperação ambiental de APPs e Reservas Legais e/ou utilização para outras atividades agrícolas. Está aí o caminho para a redenção da pecuária, livrando-a da pecha de vilã do meio ambiente.

O que evitar ou substituir para evitar que as pastagens se degradem e tenham redução da produtividade?


O pastoreio contínuo (na realidade a ausência de manejo!) e os vários tipos de pastoreio rotativo simples, realizado sem o necessário embasamento técnico-científico, são os manejos a serem evitados. Esses sistemas, em algumas situações, podem até satisfazer as necessidades do gado e do pasto, mas nunca ao mesmo tempo.Devemos evitar sistemas de manejo inadequados!

No pastoreio contínuo, o gado promove desfolhas sucessivas da forrageira, não permitindo que ela alcance o clímax do crescimento vegetativo, reduzindo a produtividade. Com baixa lotação (poucos animais em áreas extensas) para o gado, não é um mau negócio, pois ele irá, sempre, colher as pontas do capim. Mas, para saúde e a produtividade do capim, será sempre péssimo, pois não permitirá o acúmulo de reservas que garante uma rebrota vigorosa após o pastejo e o capim estará sempre sendo colhido antes de completar seu desenvolvimento.

No sistema extensivo, o gado chega a caminhar 10 km por dia, compactando o solo, destruindo a pastagem com o pisoteio e gastando energia que poderia ser canalizada para a produção. Esse constante caminhar do gado cria trilhas que facilitam a movimentação das águas das chuvas, acelerando a erosão. Quanto ao pastoreio contínuo, soma-se o superpastejo (excesso de animais), como é comum acontecer, e a pastagem entra em degradação mais rapidamente, começando com a diminuição do porte das forrageiras (partes aéreas e raízes), a capacidade de suporte decresce progressivamente, aparecem as calvas (áreas descobertas) e a desertificação é o estágio final. Pode parecer um exagero ou dramatização, mais esse é o processo de formação da grande maioria dos desertos existentes no mundo!

Quanto ao pastoreio rotativo simples, sua maior limitação é o número reduzido de piquetes ou parcelas, que não permite que, de modo simultâneo, o pasto tenha um período de repouso, longo o suficiente, para que possa atingir seu desenvolvimento ideal e um período de ocupação curto, de forma a impedir que o gado coma a brotação nova e pouco produtiva da forrageira. Os conceitos de repouso e ocupação constituem a base das duas principais “leis universais do pastoreio racional”, que serão explicitadas adiante. Considero o desconhecimento dessas leis pelos produtores e técnicos que se dedicam à pecuária como o fator que mais concorre para a degradação e a baixa produtividade das pastagens.

O que fazer para recuperar pastagens degradadas, tornando-as produtivas e sustentáveis?



Se quisermos mudar algo, temos que fazer algo novo! Ou seja: mudar o sistema de manejo! Não tenho dúvida alguma que o melhor e mais perfeito sistema de manejo de herbívoros a campo, nos dias atuais, é o Pastoreio Racional Voisin (PRV ou Sistema Voisin). Estou convicto, também, que qualquer sistema que surgir no futuro que seja melhor que o PRV, será um aperfeiçoamento ou detalhamento. Este é o caso do sistema a que me dedico há mais de 20 anos que associa o Pastoreio Voisin com o Sistema Silvipastoril, conhecido por Manejo de Pastagem Ecológica – Sistema Voisin Silvipastoril.

O que diferencia o Pastoreio Voisin do pastoreio rotativo simples: o PRV é conduzido com estrita observância às “Quatro Leis Universais do Pastoreio Racional” de André Voisin e o pastoreio rotativo simples, quase nunca!

O que determinam, então, essas “Leis” que fazem a diferença?

A genialidade destas leis é que elas explicitam de forma clara, regras naturais e óbvias, mas nem sempre compreendidas a aplicadas, que atendem simultaneamente as necessidades do gado e das pastagens. Das quatro leis, as duas primeiras se preocupam em proteger o pasto e as outras são voltadas para os animais. São elas:

1. Lei do Repouso, ou primeira lei do pasto: Determina que, após cada utilização, a pastagem tenha um repouso suficientemente longo que possibilite à pastagem duas condições básicas: 1)- o acúmulo de reservas de nutrientes, nas raízes e partes baixas do caule, que possibilita um rápido início da rebrota e 2)- passar pelo período de maior crescimento diário de massa verde (labareda de crescimento);

2. Lei da Ocupação ou segunda lei do pasto: Impõe que o período de ocupação da pastagem seja suficientemente curto de forma a não permitir ao gado colher brotação nova do pasto surgida após a sua entrada na parcela.

3. Lei da Ajuda ou primeira lei dos animais: Recomenda que os animais com exigências nutricionais mais elevadas, recebam o alimento que necessita em quantidade e qualidade.

4. Lei dos Rendimentos Regulares ou segunda lei dos animais: Para que tenham rendimento regulares, seja em produção de leite ou ganho de peso, os animais não podem permanecer mais que três dias na mesma parcela de pasto. Os rendimentos serão máximos e regulares, se a permanência não for superior a um dia.

O cumprimento das duas primeiras leis garante que a pastagem terá o máximo de sua produtividade potencial e se tornará sustentável. As outras proporcionam ao gado a alimentação que necessita para uma produção máxima e regular. Notem que só a última lei especifica valores fixos, já que a duração dos períodos de repouso e de ocupação depende de especificidades referentes à época do ano, posição geográfica, índice pluviométrico, fertilidade do solo, etc., podendo variar caso a caso.

Entre as inúmeras vantagens do PRV está a capacidade de elevar a fertilidade do solo. Isto ocorre pela “parcagem”, ou deposição de dejetos, que é grandemente ampliada pela intensificação. Façamos os cálculos: com a lotação de ½ UA/ha em pastoreio contínuo, teríamos por ha/dia, 20 kg de dejetos ou 7300 Kg/ha em um ano. Com o PRV, com 100 UA/ha, teríamos 4000 kg em um dia de permanência do gado no piquete. Como o gado passa em média 8 dias/ano em cada piquete, teremos em 1 ano nada menos que 32.000 kg de dejetos a adubar as pastagens, em 8 “aplicações” distribuídas de forma homogênea. Quando se sabe que parte significativa dos nutrientes fornecidos no sal mineral é eliminada pelo gado por meio dos dejetos, percebemos que, com o PRV, estamos, permanentemente, adubando nossos pastos.

Manejo de Pastagem Ecológica – Sistema Voisin Silvipastoril, uma evolução do PRV


No passado recente, a maioria dos técnicos ainda desaconselhavam a arborização das pastagens, alegando que as árvores competiriam com as forrageiras na utilização dos nutrientes disponíveis. A experiência, porém, mostrou que ao invés de disputar nutrientes com as forrageiras, as árvores são verdadeiras “bombas de adubação” retirando nutrientes de camadas profundas do solo e depositando-os na superfície através das folhas e galhos que caem. Existem inúmeras outras vantagens: sombreamento que melhora o conforto térmico e também resulta em maior produção animal, efeito quebra-vento que mantém a umidade e melhora do micro-clima, melhor equilíbrio ambiental, entre outras, além é claro, das possibilidades econômicas dos produtos, advindas da comercialização das próprias árvores.

O Sistema Silvipastoril se tornou assim uma unanimidade. Porém, com todas as suas vantagens, as árvores não bastam para garantir a sustentabilidade de uma pastagem, que, mesmo assim, entrará em degradação se o manejo for inadequado. Porém, quando o Sistema Silvipastoril é associado ao sistema de Pastoreio Racional Voisin, chega-se a um consórcio perfeito que agrega as necessidades básicas do gado, da pastagem e do solo: o Manejo de Pastagem Ecológica. Nesse sistema, a cooperação entre os três elementos é total e cada um tem um efeito positivo sobre os outros dois. A consequência é uma alta produtividade e bem estar animal aliado à evolução e sustentabilidade da pastagem e à preservação do meio ambiente.

A experiência tem mostrado que uma pastagem qualquer, mesmo em severos estágios de degradação, pode ser convertida em uma Pastagem Ecológica no curso de poucos anos, com aplicação dos seguintes procedimentos: implantação de um projeto de Pastoreio Racional Voisin, arborização adequada, diversificação das forrageiras e exclusão de procedimentos inconvenientes, como as queimadas, o uso de adubos altamente solúveis e as roçadas sistemáticas.

Como fazer a implantação do Manejo de Pastagem Ecológica?

Considero o “como fazer” tão importante quanto “o que fazer”, pois muitas idéias brilhantes na teoria, fracassam na hora da prática por falta de habilidades específicas nos responsáveis pela elaboração e implementação dos projetos. Porém, só o detalhamento deste item comportaria um manual com dezenas de páginas, não sendo viável fazê-lo no contexto deste artigo.

Há alguns anos, ao decidir que a divulgação da Pastagem Ecológica seria a minha “missão de vida”, estruturei e passei a oferecer um curso de capacitação para técnicos e produtores que contempla os aspectos teóricos e práticos do Manejo de Pastagem Ecológica. Veja alguns conselhos de ordem genérica:

• Elaboração do projeto: O tempo e dinheiro gasto em um bom projeto serão amplamente compensados em economia na hora da implantação e em funcionalidade no manejo posterior.

• Número de piquetes: Não se iludam: com poucos piquetes será sempre muito difícil, senão impossível, atender ao mesmo tempo a LEI DO REPOUSO e a LEI DA OCUPAÇÃO. Quanto maior o número de piquetes, melhor! Nunca menos que 40.

• Opção pela cerca elétrica: Não existe melhor forma de se fazer a divisão das pastagens que as cercas elétricas. Deve-se ficar atento, porém, na hora da compra dos componentes, pois muitas peças industrializadas disponíveis no mercado podem ser substituídas com vantagens funcionais e econômicas por peças artesanais. São exemplos, as chaves interruptoras, os punhos para porteiras e as cercas móveis.

• Arborização das pastagens: Ao arborizar uma pastagem em uso, é imprescindível fazer a proteção das mudas para evitar que os animais as destruam. O uso de cercas elétricas temporárias é a melhor forma de proteção, tanto de mudas individuais ou pequenos grupos de árvores ou de bosques e faixas arborizadas.

domingo, 3 de março de 2013

A Rede de Agroecologia Terra sem Males

Reuniãso em Ji Paraná da Rede de Agroecologia Terra sem Males. Foto: mauro porto 


Reunião da Rede de Agroecologia Terra Sem Males

 Nos dias 20 e 21 de fevereiro de 2012 estivemos reunidos no centro de formação em Ji-paraná a Rede de Agroecologia Terra Sem Males.
A primeira coisa muito positiva nesses dois dias de encontro foi o entendimento de que  a construção da rede nada mais é que o arrebanhar, o ajuntar, o reunir experiências, experimentos aprendizados acumulados pelos homens e mulheres que trabalham a terra. E a partir da experiência desenvolveu a crença e a consciência da necessidade de estabelecer uma relação de respeito com a terra e todas as formas de vida. Nosso processo produtivo precisa ser diferente do que prega  e orienta o modelo maldito e ganancioso  dos que trilham os caminhos do agronegócio.
Então vemos ai dois projetos antagônicos, duas visões completamente diferentes. A primeira, que aprendemos pelas estradas da agroecologia é justamente este respeito, este amor pela mãe terra, jamais  envenená-la. Buscar constantemente  alternativas de como naturalmente cuidar  das plantas, dos seres humanos e dos animais, ir buscando no dia a dia entender profundamente esse equilíbrio que é realmente o centro da questão.
O que tem acontecido também de muito positivo nesta articulação da rede é  o fato  das organizações estarem participando. Organizações que tem respeito e importância nas lutas do povo como MST, CPT, MPA, SINDICATOS e associações de agricultores.
Outro debate sobre o qual devemos apropriar é a questão do selo orgânico sempre vista tido como uma algo muito burocrática e muito difícil pra ser alcançada. Ao que nos pareceu pelo relato de pessoas do governo é que agora temos possibilidade de conquistar com mais facilidade e sem burocracia com a chamada adesão participativa. Neste caso os próprios agricultores serão fiscais um dos outros. É fundamental as organizações decidirem se tomará as rédeas nesse momento importante da caminhada.
O companheiro Mauro Porto fez no inicio dos trabalhos uma análise de conjuntura questionando que a base do governo de Lula e Dilma é praticamente do agronegócio. Também deixou claro, ogronegócio é muito mais do que um modelo para a agricultura, faz parte de um projeto de sociedade a serviço do capital. Outra novidade que foi oficializada o coordenação da Rede Terra Sem Males que foi composta por um representante de cada organização presente.

                                           .......E a luta continua.
José Pinto de Lima

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Famílias do projeto continuaram realizando encontros

Grupo de agricultores do Terra Sem Males. 
Após assembleia de famílias de agricultores realizada em Ouro Preto do Oeste ontem, dia 15 de fevereiro de 2012, o Projeto Terra Sem Males praticamente encerra o seu trabalho. Na reunião, além de agricultores e o atual coordenador do Projeto, José Pinto de Lima, representantes   da CPT Ro e do MST.  Atrás quedam anos de assistência técnica pioneira em linha agroecológica, de intercambio de experiências entre as famílias, desenvolvidas no dia a dia, partindo das características próprias do bioma amazônico.

Na assembleia do Projeto, a Irmã Maria Ozânia, da equipe de coordenação da CPT Rondônia, apresentou a campanha contra o trabalho escravo. A situação grave dos trabalhadores rurais sem terra, que acabam caindo por necessidade nas mãos de pessoas sem escrúpulos, sendo sometidos a moderna escravidão: Promessas de trabalho enganosas, com trabalho forçado, em condições de alimentação, alojamento e tratos degradantes, dívidas forjadas, intimidações, violência e ameaças... 
Todo isso não é somente história do passado de Rondônia, ainda triste realidade de nossos dias, como testemunham pessoas chegadas na CPT Ro e fiscalizações realizadas em nosso estado, que tem elevado a dezesseis o número de fazendas e de firmas de Rondônia que constam na "lista suja" do trabalho escravo. 
Esta realidade do trabalho escravo nos remete a necessidade de terra e de reforma agrária, e esta a de formação agroecológica para os agricultores pode viver e se manter na terra. 

O Projeto Terra Sem Males reuniu uma equipe privilegiada de famílias engajadas em trabalhar a terra e viver   desenvolvendo a linha agroecológica. Apesar de muito dispersos territorialmente, eles valorizam especialmente os encontros realizados nas diversas localidades, com visitas aos sítios de algumas delas. isso possibilita ver na prática os trabalhos e experiências desenvolvidas. 

A continuidade destas visitas ficou estabelecida, e contemplada em um novo projeto de agroecologia desenvolvido pela CPT RO. Ao final do encontro se marcou dois dias para realização deste encontro ainda este ano, em Mirante da Serra, para os dias 24 e 25 de março.

A possibilidade deles realizarem assessorias e acolher visitas, remuneradas, de outros agricultores interessados na agroecologia, também foi contemplada. A luta pela terra acha um dos seus entraves nas dificuldades dos agricultores em produzir de forma correta e sustentável. 

Ainda no encontro foram relatadas novidades no trabalho: despolpadeiras, pequenas agroindústrias, equipamentos para feiras...

Também algumas dificuldades novas: Avanço de agronegócio, com plantio de soja regada com agrotóxico e destruição de meio ambiente nas proximidades, atrasos no pagamento do PAA (programa de aquisição de alimentos), etc. 

Outras derivações relacionadas do Projeto Terra sem Males: as hortas do PAE, a Rede de Agroecologia Terra sem Males (que se reúne a próxima semana em Ji Paraná), as feiras de produtos sem veneno do MPA de diversas localidades, o projeto da Igreja Luterana em Cacoal... Também a CPT RO acompanha alguns grupos interessados em aprender sobre o tema em Porto Velho, Candéias do Jamari, etc.

Ainda  vai ter encerramento do fundo rotativo que tem ajudado as famílias a fazer novos investimentos na linha agroecológica: despolpadeiras, novas agroindústrias, novas matrizes de cabritos, etc.

domingo, 16 de dezembro de 2012

O Terra Sem Males no Fórum Mundial Social Panamazônico em Cobija

O Projeto Terra sem Males pela CPT RO organizou uma oficina de agroecologia no Fórum Social Mundial de Cobija, Bolívia, o passado dia 29 de Novembro de 2012. A oficina acolheu uns quarenta participantes, provenientes de diversos países. Aqui apresentamos o relatório elaborado.

 RELATÓRIO DA OFICINA DE TROCAS DE EXPERIÊNCIAS DE AGROECOLOGIA
VI FORUN PANAAMAZÔNICO
COBIJA-BO, 29 DE NOVEMBRO DE 2012.

Objetivo
 Realizar uma oficina de agroecologia, organizada pela CPT Rondônia através do Projeto Terra Sem Males, durante o VI Fórum Panaamazônico.

Objetivos Específicos
Valorizar e divulgar as experiências e práticas de agroecologia existentes; Fortalecer a agricultura familiar; Incentivar a produção agrícola sem uso de veneno.

Assuntos
Experiências de agroecologia que deram certos ou não e testemunho de agricultores familiares que já vem desenvolvendo essa prática; as bases da agroecologia, como produzir alimentos sem veneno; compostagem, queima de ossos e sal mineral;

Introdução
A CPT/Ro se fez presente no VI Fórum Panamazônico, em Cobija na Bolívia, com o intuito de participar das discussões  sobre a Amazônia. O Fórum contou com a presença de representantes dos nove países que compõe a Amazônia Legal e de todos aqueles que veem a questão Amazônica como uma questão de interesse mundial. Ficou a cargo da CPT/RO a realização de uma Oficina, cujo tema: Experências Agroecológicas, a ser executada pelos agricultores que participam do Projeto Terra Sem Males. Projeto este realizado pela CPT, e que serviu como um berço para a Agroecologia, mas essa criança cresceu, esses agricultores produzem e vivem de forma agroecológica e querem passar suas experiências nesse processo afim de disseminar conhecimento, e assim incentivar outras pessoas a conhecerem e viverem a agroecologia.

Relato
A oficina iniciou-se na manhã do dia 29, atraindo um público de aproximadamente 40 pessoas, sendo todos do Brasil, com exceção de uma pessoa da Bolívia. Se fez presente, pessoas do Acre, Amazonas, Goiás, Mato Grosso e Pará, o público maior foi de rondônia. Todos e todas se apresentaram e foram recebidos em rítmo de música. A oficina proseguir-se-á com uma troca de experiências, um diálogo entre os participantes, contando com o depoimento dos produtores agroecológicos.
Zé Pinto, em suas palavras enfatizou a visão dos movimentos sociais sobre a agroecologia, devemos ter muito cuidado, pois a agroecologia pode ser falada e defendida até mesmo pelos representantes do capital. A visão dos movimentos é a de fortalecimento da agricultura familiar, e de produção de alimentos acessíveis, e que possam corresponder aos anseios do povo pobre e sofredor, por alimento, e alimento saudável.

O agricultor José Silva (do Projeto Natureza Viva), iniciou sua fala perguntando qual o significado da palavra agroecologia, essa palavra bonita o que diz para nós? Agroecologia quer dizer casa, nossa casa, como estamos cuidando da nossa casa?  Ao começar contar sua trajetória de agricultor disse que, a introdução do veneno após a Revolução Verde, a desvalorização e posterior perca dos costumes e tradições que os nossos antepassados viviam. Sentiu e viveu as transformações desse processo, quando em fim teve a oportunidade de participar de um curso, onde lhe fora apresentado a proposta da agroecologia, e pode visualizar os prejuízos, as consequências desse modelo de produção convencional.
Com essa experiência José Silva, junto de sua Família decidiram dizer não ao modelo convencional, ao agrotóxico, e começou a trabalhar a agroecologia, a se apropriar dos instrumentos, de suas bases para produzir.
Explica a proposta do modelo convencional, e os meios que temos para não tornar necessário seu uso. Temos meios que a própria natureza nos oferece para fertilizar nossos solos, sem nos tornar dependentes das grandes indústrias produtoras de insumos. Um exemplo do que se utiliza são as leguminosas, em especial a mucuna preta, consorciada, ou utilizada no pré-plantio. Quando iniciei o uso da leguminosa, nosso solo precisava de 06 a 07 toneladas de calcário, usando leguminosa, em 04 anos conseguimos zerar essa taxa. As leguminosas são nosso calcário que a gente precisa, são nossas amigas e eu não as abandonos jamais. Eu sou tipo morcego, aonde eu vou levo sementes e procuro também levar sementes pra casa.

Com a participação da plenária uma exposição buscou evidenciar o processo que nos desestruturou, e tornou grande parte dos agricultores dependentes de insumos. Um processo apoiado pela mídia, e que as pessoas se tornaram adeptos pela sensação de facilidade que ele oferecia. Só que as consequências vieram ao mesmo tempo em que esse modelo convencional ganhava espaço a população adoecia.

José Silva ainda acrescenta a importância de terem um grupo local com trabalhos voltados a agroecologia, com um trabalho em especial com o café. Sobre o modo de utilização das leguminosas, elas têm suas especificidades quanto a que cultura vai preceder ou dividir espaço, a qualidade da terra, e a espécie de leguminosas.
Na experiência citada por Roberto monitor da EFA de São Francisco do Guaporé, o trabalho da escola está voltado à produção agroecológica. Sobre as leguminosas explica serem elas aliadas a todos que desejam praticar uma agricultura ecológica e sustentável, por realizar a recuperação do solo, que muitas das vezes já foi atingido por esse convencional e se encontra degradado. Assim como o ser humano que  se tornou um ser químico. Ainda cita a importância da manutenção do equilíbrio natural, existem as receitas naturais, que podem estar sendo utilizadas, mas é importante perceber que a natureza não é nossa inimiga. Nesse momento foram sendo realizadas trocas de receitas e experiências.
Letícia: expõe a necessidade de que as pessoas busquem realizar suas próprias experiências, pois o que é praticado em um determinado lugar pode não se adequar a realidade de outro. As receitas são uma base, mas não é algo imutável, é preciso utilizar aquilo que se tem a disposição.

Américo (agricultor do Projeto Terra Sem Males) reafirma a importância do agricultor se tornar cientista dentro de sua propriedade, a aproximação e observação da natureza, e como isso valoriza o seu trabalho. O agrotóxico, não mata apenas plantas e insetos, mata pessoas, mata a cultura, cria o individualismo, e a descrença no conhecimento popular. “A beleza não está no objeto, mas nos olhos de quem a vê”, as vezes olhamos a natureza, as plantas, como mato, algo insignificante. Quando você se aproxima da agroecologia, passa a ver Deus em todas as coisas, e enxergar através desse olhar diferente a beleza e a utilidade de tudo que há na natureza. Os conhecimentos populares foram desvalorizados e desacreditados, porque não oferecem valor para o sistema capitalista, e o que a ele interessa é o valor financeiro da coisa. Nesse sentido assumiu-se o compromisso de realizar as feiras livres, para oferecer aos consumidores aquilo que tem disponível em suas propriedades. Hoje são 23 famílias envolvidas no processo, que passa por um caixa único e avaliação do grupo. A importância dessa experiência não está necessariamente no ganho financeiro, mas na troca de produtos entre os agricultores, todos têm de tudo para se alimentar, conhecendo de onde vem cada produto. A união de produtores, além de possibilitar a realização da feira, como uma fonte de renda, ainda permitiu agregar valor aos produtos, através do beneficiamento. Outra vantagem foi o envolvimento das famílias no processo produtivo, crianças, mulheres, jovens e adultos participam das feiras.

Na plenária, a exposição da condição da Bolívia, onde há uma produção quase que exclusivamente convencional, com a utilização de químicos. Particularmente entende que a produção orgânica é o melhor para a saúde. Assim tem a intenção de implantar um projeto nesse sentido, apesar das dificuldades, por estarem em uma área extrativista, sem incentivos a produção. Lamenta que não houvesse mais pessoas de outras nacionalidades presentes para conhecer a proposta agroecológica. Apesar da produção orgânica no país ser quase que insignificante, o importante é que estão iniciando, admira a capacidade de utilização da terra de alguns países, em Bolívia não estão tendo esse aproveitamento, e entende que a terra é para produzir.
Lucimar (MST) trás a experiência de recuperação de uma área degradada. Para os camponeses produtores, precisam separar o que é agroecologia e agricultura orgânica, pois esta pode ser realizada em qualquer canto, por qualquer um, já a agroecologia, é um modo de vida, que visa a garantia da sustentabilidade do agricultor e da terra. A agroecologia depende de observação da natureza para compreensão e utilização de acordo com as necessidades, e possibilitando um equilíbrio natural.
A agroecologia tem grande importância também para a conquista da terra, criando uma nova perspectiva para aqueles que estão na busca pela terra. Não temos necessidade de utilizar produtos de mercado, temos como utilizar o que a natureza nos oferece.
Para Zé Pinto, fazer agroecologia depende de amor a terra, a natureza e as outras pessoas, lutaram contra um sistema que torna nossos aliados inimigos, nossa visão frente à natureza precisa ser de aliados, companheiros. Por isso todo o trabalho inicia pela recuperação e busca de equilíbrio do solo.
Dona Fátima (Terra Sem Males – Cacoal), inicia uma apresentação dos trabalhos que vem sendo realizados por sua família e agricultores na região de Cacoal Rondônia, a fim de divulgar o que vem sendo praticado. Apresentou imagens das oficinas realizadas com as famílias.
Houve várias intervenções da plenária como dúvidas com receitas e de como fazer uma compostagem, como fazer queima de ossos...
Os expositores foram respondendo cada dúvida, conforme suas experiências.
Por ultimo, Roberto falou sobre a importância de se alimentar corretamente, usando frutas e verduras. A importância de cada fruta e a forma que elas devem ser comidas. Um exemplo errado de ser comer a fruta é comê-la após as refeições como sobremesas. As frutas devem ser comidas de preferência antes das refeições, assim como as verduras. Não se deve ingerir líquido gelado, nem durante, nem após as refeições, o ideal é ingerir algo quente após as refeições, como o chá por exemplo.
Foi perguntado se o café poderia ser ingerido após as refeições, ele respondeu que sim, por ser quente.
Foi sugerido pela plenária em está formando uma rede de agroecologia, onde eles possam trocar essas experiências e aplicá-las.
Foi feita uma avaliação da oficina onde todos disseram que foi um momento muito rico de experiências e aprendizado, e que essas experiências têm que serem ampliada.
Em clima de alegria e com a oração do Pai Nosso, rezado em circulo, encerrou-se a oficina.

Por: Liliana Won Ancken dos Santos e Maria Petronila Neto

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Abertura do VI Fórum Social Panamazônico em Cobija, Bolívia, marcado pela marcha dos participantes.



VI FÓRUM SOCIAL PANAMAZÔNICO COBIJA, BOLÍVIA - 28 novembro - 1 dezembro 2012



Em 28 de novembro de 2012, inicia-se o VI Fórum Panamazônico com credenciamento e marcha da Ponte da Amizade até o Parque Piñata, onde realizou-se a abertura oficial do evento com musicas e apresentações culturais. Também foi feito um apelo de paz sobre a problemática entre Israel e Palestinos, que tem vitimado muitas pessoas, de forma violenta. Foi manisfesto o apoio aos Palestinos frente a situação.
Estão participando do Fórum pessoas dos nove países que compõem a Amazônia Legal, além de demais interessados. O Estado de Rondônia vem representado por um grande grupo de participantes: CPT ( entre estes agricultores do Projeto Terra Sem Males), também da RECID, do MST, do MAB, CIMI, e do Madeira Viva, além de índigenas, e ribeirinhos.
O Projeto Terra Sem Males vai proporcionar um momento de troca de experiências sobre a agroecologia a ser realizada na manhã do dia 29, com agricultores onde estes estarão expondo suas experiências e perspectivas quanto a agroecologia.



O mundo, cada vez mais injusto, consumista e que a desigualdade é a manifestação de uma crise de civilização vasta (econômica, financeira, cultural e ambiental).Hajam novas formas de produção, consumo do governo, e da convivência entre pessoas, entre pessoas e novas formas de viver com a natureza. Enfrentar esses desafios só será possível com a unidade das forças sociais que buscam práticas e mudança estrutural em direção a uma nova maneira de viver.
A humanidade virou o olhar para a Amazônia a reconhecer o seu papel na vida do planeta. Além de uma biodiversidade monumental, sua capacidade de capturar carbono e sua contribuição para o ciclo da água, também abrange uma rica cultura de comunidades indígenas e camponesas. Mas a Amazon também atrai o capital especulativo e extrativistas visto como recurso inesgotável.
A Amazônia é uma fase da vida de seus povos em harmonia com a natureza e uma rica herança cultural, mas também um palco de apresentação do seu povo e da violação dos seus direitos. Com o poder das aldeias da Amazônia também será um cenário de resposta.
"Para a unidade dos povos da Amazônia para transformar o mundo"


Abertura do panamazônico.
O sexto Social Pan-Amazônico Fórum será dividido em quatro temas:

1. Colonialismo e neo-desenvolvimentismo extrativismo
2. Impacto da crise global sobre a Pan-Amazônia: caminhos e alternativas
3. Defesa e cheio exercício dos direitos na Pan-Amazônia
4. Arte, cultura, educação, comunicação social e luta no Pan-Amazônia.

TEMA I: colonialismo, neo-extrativismo e desenvolvimentismo
MESAS TEMATICAS:
Modelos de desenvolvimento e capitalismo verde no Pan
Megaprojetos e seus impactos sobre a vida dos povos da Pan
As alterações climáticas e a exploração da biodiversidade no Pan
Relação geopolítica nas regiões de fronteira no Pan

TEMA II: IMPACTOS DA CRISE GLOBAL EM Pan-a: ESTRADAS E ALTERNATIVAS
MESAS TEMATICAS
Multiculturalismo e Viver Bem
Integração e desintegração no Pan
Lutas anticapitalistas e de justiça social e ambiental
De Ciência e Tecnologia comunidades indígenas e tradicionais

TEMA III: Defesa e pleno exercício dos direitos EM Panamazônia
MESAS TEMATICAS
Formas de resistência e criminalização das lutas sociais
Fortalecimento e ampliação dos direitos humanos e da natureza no Pan
Lutar por autonomia, território e auto-determinação
O direito à cidade no Pan

TEMA IV: arte, luta cultura, comunicação, educação e social no Pan
MESAS TEMATICAS
Diversidade e Identidade Cultural na Pan-
As crianças e os jovens como agentes de uma nova sociedade
Educação Popular
Comunicação democrática e popular

OBS: maiores informações no blog :www.vifspaamazonico.blogspot.com