quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O PROJETO TERRA SEM MALES

O Projeto Terra Sem Males foi concluído junto com as famílias e não tinha como ser diferente pois o mesmo só veio contribuir para que a CPT pudesse realizar  mais uma etapa de sua missão e de seus sonhos de  acompanhar e apoiar um grupo de famílias  de vários municípios  em Rondônia. Famílias que também alimentavam a vontade de desenvolver experiências em agroecologia.  Acreditamos que os objetivos e expectativas do projeto foram alcançadas, ajudar as famílias e já preparando-as para  seguirem caminhado com autonomia sua experiência produtiva.

Um projeto como este tem que ter como intenção provocar mudanças de mentalidade, mudança cultural. Somos conscientes de que o modelo de produção do agronegócio investe pesado em propaganda do seu jeito de pensar o campo brasileiro como; monocultivo, uso de agrotóxicos, e toda forma de desrespeito a natureza.

Despolpadeira construída por famílias do PTSM
no Vale do Paraíso RO
É visível a mudança no comportamento das famílias que atuaram no projeto. Houve neste período um processo coletivo de reeducação em dimensões fundamentais para uma vida mais saudável, especialmente no que diz respeito a forma de plantar e de lidar com a terra, na alimentação, na diversificação da plantação e o resgate da a participação efetiva da família  nos projetos de produção da propriedade.
Em nome de tudo que aprendemos juntos, essa nova consciência que também temos adquirido durante esse tempo do Projeto Terra sem Males, esse resgate cultural nos convenceu de que precisamos produzir nossa própria alimentação e com essa prática superar a ilusão de que a solução para o campo é o monocultivo, especialmente do gado em nossa região e também contribui com a independência financeira das famílias porque diminui essa terrível dependência do mercado.

Precisamos continuar preparando tudo isso para outras famílias, continuar com visitas, encontros para trocas de experiência, para que não se perca esta caminhada que foi tão importante na vida de tantas pessoas.  A Comissão Pastoral da Terra se compromete em continuar acompanhando e tentando viabilizar novos projetos para que para novas famílias mesmo porque entendemos o quanto é inviável o projeto do agronegócio para os pequenos agricultores e para a sociedade em geral, especialmente na Amazônia.


José Pinto de Lima

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Comitê Estadual da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos realiza Seminário.


Seminário debateu perigo dos agrotóxicos na alimentação humana. foto diário amazonia

Com o tema: Desafios e alternativas na luta contra os agrotóxicos e com Assessoria do Prof. Dr. Wanderlei Pignati da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em parceria de várias entidades e organizações, o comitê Estadual da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos. Realiza seminário. Realização: Via Campesina (MST, MPA, MAB, CPT, CIMI) Projeto Pe. Ezequiel/Diocese de Ji-Paraná; Rede de Agroecologia “Terra Sem Males”; UNIR; IFRO; RECID; CEREST; CEPLAC

Seminário estadual debate os perigos do uso de agrotóxico
O Comitê Estadual da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida realizou nos dias 17 e 18, no Centro Diocesano de Formação-CDF de Ji-Paraná, um seminário para discutir a problemática do uso de agrotóxicos, especialmente seus impactos na saúde da população. Esteve presente o professor Wanderlei Pignati, médico e pesquisador pela UFMT. Ele foi o coordenador da pesquisa realizada com apoio da Fiocruz em Lucas do Rio Verde, cujo resultado ficou conhecido nacionalmente pela constatação de contaminação até do leite materno.
Na noite do dia 18, houve o lançamento do documentário “Nuvens de Veneno”, seguido de debate com o pesquisador Pignati no auditório do prédio A do Ceulji-ULBRA. E no dia 19, professores e alunos do Ifro-Instituto Federal de Rondônia, também receberam o professor para palestra e discussão sobre o tema.(continua)


Impactos do uso de agrotóxicos
O Brasil é o campeão mundial no consumo de agrotóxicos. Mais de um bilhão de litros são despejados todos os anos em nossas lavouras. Nos últimos 40 anos houve um aumento de 700% no uso destes produtos químicos, enquanto que a área agrícola aumentou apenas 78% no mesmo período.
O principal problema dos agrotóxicos é a intoxicação, tanto do homem quanto dos animais e do meio ambiente.

Impacto na saúde humana
A Abrasco, Associação Brasileira de Saúde Coletiva, publicou um dossiê que reúne resultados de diversas pesquisas feitas no Brasil avaliando os efeitos dos agrotóxicos sobre o meio ambiente e a saúde humana. O dossiê aponta que 14 agrotóxicos vendidos no Brasil já estão proibidos em outros países porque são suspeitos de causar danos neurológicos, mutação de genes, doenças crônicas, dermatite, desregulamentação endócrina, neurotoxidade retardada, efeitos sobre o sistema imunológico, doença do fígado e câncer.

Estudos estimam que aproximadamente 25 milhões de trabalhadores agrícolas de países pobres sofram com algum tipo de intoxicação causada por exposição a agrotóxicos. Entre 2000 e 2006, os agricultores brasileiros tiveram uma maior incidência proporcional de câncer do que a população urbana, foi o que mostrou a pesquisa realizada por Raquel Maria Rigotto, integrante do Núcleo Tramas, da Universidade Federal do Ceará.
Para as grávidas, o risco é maior. Pesquisadores apontam para as fortes evidências que ligam o contato com pesticidas a problemas durante a gestação, como problemas de desenvolvimento neurológico, defeitos de nascença, diminuição do tempo de gestação, pouco peso do bebê e a morte de fetos.
Cremilda Augusta, agricultora familiar camponesa do município de Espigão d’Oeste, estava grávida de 3 meses quando sofreu um aborto depois de passar por uma pastagem onde havia sido aplicado um pesticida. Desde então, adotou o sistema de produção agroecológico.

Impacto ambiental
Além da contaminação do solo, de lençóis freáticos, rios e lagos, o uso de agrotóxicos contribui para o empobrecimento do solo e para o surgimento de pragas progressivamente mais fortes. Outros problemas são a diminuição do número de abelhas polinizadoras e a destruição do habitat de pássaros em ambientes onde pesticidas são utilizados.

Em pratos limpos
Há 25 anos o Projeto Padre Ezequiel, um dos componentes do Comitê contra os Agrotóxicos e pela Vida, vem orientando agricultores familiares camponeses do estado de Rondônia para o modo de produção agrícola agroecológica que se refere não apenas à não utilização dos agrotóxicos, mas, à correta utilização dos recursos dos ecossistemas, de forma que combinem diversificação e rotatividade de produtos adequados e naturais ao bioma amazônico.
“Este sistema, possibilita a produção em harmonia com o meio ambiente, garante a segurança alimentar, o aumento da renda e o estabelecimento das famílias na terra”, afirma o coordenador do Projeto Padre Ezequiel, José Aparecido de Oliveira.

A solidariedade contra o privilégio
O apelo por alimento “saudável" já fisga sete entre dez brasileiros, segundo pesquisa de hábitos de compra feito pela transnacional Nielsen. De todos os gastos feitos por famílias das classes A e B, 30% são com orgânicos. 
“Os varejistas estão se aproveitando deste nicho de mercado e vendendo o produto orgânico como produto da moda. Como tem quem pague, continuam praticando preço alto”, desabafa o agricultor familiar Ananias Andrade, do assentado de reforma agrária do município de Mirante da Serra
Desafiando esta lógica de mercado agricultores familiares camponeses estão comercializando seus produtos em feiras que acontecem semanalmente em 16 municípios do estado de Rondônia. Vendem uma grande variedade de produtos por preços justos e acessíveis a todos. “Assim como nos preocupamos em produzir com qualidade para nossas famílias também nos preocupamos com a comunidade.”, explica o agricultor Carlos Alves, de Mirante da Serra.
“Através da prática agroecológica buscamos estimular uma nova forma de comercializar a produção dos agricultores camponeses. Sem explorar o outro, sem querer levar vantagem. Isto fortalece os grupos através da cooperação e da busca pelo bem comum”, ressalta o coordenador do Setor Agrícola do Projeto Padre Ezequiel, Francisco de Assis

domingo, 29 de setembro de 2013

Agroecologia em Alta Floresta do Oeste, Rondônia.

Reproduzimos matéria de Rondonianews sobre Dia de Campo organizado pela Seagri e Emater em Alta Floresta do Oeste, Rondõnia, com palestras de Inelde Vendruscolo, que era das famílias atendidas pelo Projeto Terra Sem Males, e o seu filho Ronaldo Vendruscolo, agrônomo que atualmente coordena o projeto de agroecologia da Igreja Luterana em Cacoal. 

PRODUÇÃO ORGÂNICA É TEMA DE DIA DE CAMPO EM ALTA FLORESTA
Esta foi a primeira etapa do Dia de Campo. No dia 24 de outubro acontece a segunda etapa com apresentação conclusão dos trabalhos práticos.

Um número considerável de produtores rurais e feirantes do município de Alta Floresta participou do Dia de Campo sobre horta caseira orgânica, realizado nesta quinta-feira (26), na Linha 42,5, Km-1, na propriedade do casal de agricultores Lúcio e Sônia Michels. O evento foi idealizado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Agricultura (SEAGRI), em parceria com a Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (EMATER), Secretaria Municipal de Agricultura (SEMAGRI), Idaron e Câmara Municipal de Vereadores de Alta Floresta.


O gerente do escritório da Emater de Alta Floresta, Paulo Herinque, o secretário adjunto de Agricultura do município, Alisson de Paula, o vereador Edmar Boldt (PSB), o fiscal estadual agropecuário da Idaron, engenheiro agrônomo Ernesto Antônio Moraes, e demais técnicos da Emater, Semagri e Idaron participaram da abertura do evento que contou com palestras ministradas pela agricultora Inelde Vendrusculo e o graduando em agronomia, Rodrigo Vendrusculo.
Esta foi a primeira etapa do Dia de Campo. No dia 24 de outubro acontece a segunda etapa com apresentação conclusão dos trabalhos práticos.
Neste primeiro evento, Ernesto Antônio falou da agência Idaron que tem o trabalho de fiscalizar, mas o intuito maior é a educação sanitária.
Alisson de Paula frisou a importância do tema que trabalha o respeito do produtores com o consumidor. “Estamos visando um trabalho sem agredir o consumidor”, disse o secretário.




Para Paulo Henrique, o mais importante do evento é a educação alimentar. Conhecer técnicas, discutir o tema, a importância da produção orgânica e os malefícios do uso de agrotóxicos. “Temos uma recomendação do Ministério Público quanto ao uso excessivo de agrotóxicos no município” esclareceu.

Durante o Dia de Campo foram abordados temas como a agroecologia, o preparo do solo, biofertilizantes, os malefícios dos agrotóxicos e o uso abusivo.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Conferência sobre Agrobiodiversidade



Car@s Amig@s,


Apresentar alternativas ao uso de Transgênicos e Agrotóxicos na produção agrícola brasileira, esse foi o objetivo da Conferência Temática sobre Agrobiodiversidade, realizada em Brasília nos dias 20 e 21 de junho. Ao final do evento foram sistematizadas dez propostas que serão encaminhadas para as etapas estaduais preparatórias para a 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural e Sustentável Solidário, prevista para outubro. Organizado pelo Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), ambos do Ministério do Desenvolvimento Agrário, integrados paritariamente pela sociedade civil e o governo, participam lideranças de movimentos sociais, pesquisadores e gestores públicos.


De acordo com Roberto Nascimento, diretor do NEAD, a agroecologia é fundamental para pensar o desenvolvimento rural brasileiro. Ele explicou que em 2008 ocorreu a primeira Conferência Nacional e o seu resultado foi a aprovação da Política de Desenvolvimento Rural, que elencou prioridades na perspectiva da agricultura familiar: reforma agrária, mulheres, juventude, povos e comunidades tradicionais, etc.


“A Política ainda está no Congresso, no foi retirada e na Câmara ainda está tramitando. Mas teve influência em algumas políticas. Haverá essa 2ª Conferência cinco anos depois para criar um Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável e Solidário com objetivo de colocar em prática nos próximos 20 anos todas as temáticas debatidas na última década junto aos movimentos sociais e o governo. É muito importante para o povo brasileiro”, observou.


Segundo o pesquisador, apesar de não convivermos mais com a escravidão ainda enfrentamos o latifúndio e a produção direcionada para o exterior, hoje chamada de commodities, sobretudo da soja. Nascimento, no entanto, defende que temos políticas com uma direção econômica diferenciada na ainda atual modernização conservadora.


“Ter no ministério políticas para a agricultura familiar e a reforma agrária já são avanços. E nos leva a pensar na participação popular, é o governo e a sociedade civil integrados pensando num plano nacional que pense o futuro. É também subverter com a tradição da nossa história, num momento oportuno com participação popular nas ruas. Tivemos uma série de conferências e conselhos no Brasil, participação popular é isso”, afirmou.


A Conferência foi concebida no âmbito do GEA - Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade, que foi construído nos últimos seis anos para acompanhar a forma como o governo vem internalizando em suas políticas o tema dos transgênicos. Gabriel Fernandes, da AS-PTA e integrante da Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, criticou o papel da Comissão responsável pela biossegurança, pois, em sua opinião, o órgão tem atuado mais na promoção da biotecnologia.


“Foi criado esse grupo da sociedade civil com pesquisadores para trabalhar questões da agrobiodiversidade de forma mais ampla. Precisamos pensar um processo maior de transição para agroecologia, aproveitando o que está sendo construído no Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica”, concluiu.


Hoje o Brasil é o país com a segunda maior área de transgênicos , menor apenas que os Estados Unidos, basicamente com a soja e o milho. Esse cenário permite reunir um conjunto grandes evidências para um balanço dessa última década, complementou Fernandes, já que o Brasil começou em 2003 a reformar seus marcos regulatórios visando à liberação do plantio dessas culturas. É preciso apurar que resultados produziram todas as as promessas e comparar a propaganda com o que está de fato acontecendo no campo, concluiu.


Ciência versus poder econômico


A abertura da Conferência Temática contou ainda com palestra magna do professor Paulo Kegeyama, ex- diretor de biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. Ele iniciou sua fala criticando os critérios de aprovação de transgênicos pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), da qual foi membro por 4 anos. Para ele, os resultados de suas votações, sempre favoráveis às liberações desses produtos, indicam um jogo de cartas marcadas. O especialista apresentou seu projeto de pós graduação na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, onde é professor titular, com centenas de assentamentos da agricultura familiar que estão em processo de transição agroecológica via sistemas agroflorestais.


“O que domina a produção de alimentos é o agronegócio, as grandes empresas, gerando um meio rural sem gente. Segundo o Censo do IBGE, 85% da produção são de agricultores familiares em apenas 30% da área nacional. Estudamos há 30 anos a biodiversidade tropical, queremos explicar a crise sócio ambiental do agronegócio e por que tanta utilização de agrotóxicos associada aos transgênicos. Mostrar esse desequilíbrio da tecnologia moderna que exige a utilização massiva desses instrumentos. É importante mostrar que as mesmas empresas dos agrotóxicos abocanharam o sistema de sementes”, destacou.


Ele levantou dados que apontam para uma produtividade mais qualificada, e com custo inferior ao modelo agroindustrial. Nesse sentido, Kegeyama critica o fato de sermos desde 2008, segundo a Anvisa, o país campeão de uso de agrotóxicos. E defende que o sistema agroecológico produz mais emprego e alimentos saudáveis, além da promoção sócio ambiental, e é importante ampliar a escala de adoção dessas tecnologias para influenciar as políticas públicas.


“Estamos nos envenenando. E os transgênicos causam impactos aos agricultores, é uma política para desenvolver as grandes indústrias e empresas. Grande impacto sobre a saúde humana. Na CTNBio vi processos apresentados pelas empresas sem nenhum rigor científico e que mesmo assim fora aprovados“, alertou.


Em 2012 uma pesquisa publicada na revista Food and Chemical Toxicology, referência na área de toxicologia, mostrou tumores provocados pelo glifosato, agrotóxicos mais utilizado no Brasil nos últimos 10 anos. A pesquisa durou 2 anos, ao contrário da média de 3 meses dos estudos apresentados pelas empresas. Essa foi mais uma lembrança do professor, que trabalha no sentido de empoderar as comunidades de tecnologias em favor da agricultura familiar.


“Em São Paulo 6.500 famílias, cerca de 35 mil pessoas, trabalhamos com uma pesquisa participativa. O MST recebeu a terra da reforma agrária, no Portal Paranapenema. Avaliamos o uso de macaúba em sistemas agroflorestais, e ela produz dez vezes mais que a soja. São sistemas com várias espécies combinadas, naturalmente ou não, na perspectiva da transição agroecológica. O conhecimento da biodiversidade é a base para se promover essa tecnologia”, disse.


A transgenia é, de fato, uma tecnologia excludente e quem conserva e usa as variedades crioulas convive com o desafio da contaminação que pode vir do vizinho que planta transgênicos. Por outro lado, a sociedade vem dando cada vez mais importância à qualidade dos alimentos, complementa, e o setor de saúde nas universidades e na própria Anvisa começa a ligar os fatos às doenças graves em regiões que usam muito agrotóxicos. Os sistemas agroflorestais têm promovido a segurança e soberania alimentar, mas isso é abafado pela grande propaganda midiática. Estudos mostram que a produção de leite com sombreamento de árvores nos pastos, por exemplo, garante no mínimo 10% a mais de produção. Teses em relação ao custo e produtividade da agroecologia comparada ao agronegócio, segundo o professor, mostram que as outras espécies da diversidade não são computadas: o custo de produção em sistemas agroecológicos, garantindo maior renda ao produtor.


Fonte: www.agroecologia.org.br

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Governo aprova Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO)

Horta tipo mandala do PAIs
Em 7 de junho, foi aprovado o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO), que é o principal instrumento da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), instituída pelo decreto presidencial nº 7.794/2012, em agosto de 2012.

O objetivo da PNAPO é integrar, articular e adequar políticas, programas e ações indutoras da transição agroecológica e da produção orgânica e de base agroecológica, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da população, por meio do uso sustentável dos recursos naturais e da oferta e consumo de alimentos saudáveis. Suas diretrizes envolvem a promoção da soberania e segurança alimentar e nutricional, a promoção do uso sustentável dos recursos naturais, a conservação dos ecossistemas naturais, a promoção de sistemas justos e sustentáveis de produção e a valorização da agrobiodiversidade, dentre outros.

O PLANAPO concretiza o anuncio feito pela presidenta Dilma no último dia da Marcha das Margaridas, em agosto de 2011, que dizia: “Criação de um grupo especial de trabalho, com a participação de segmentos sociais e das organizações de mulheres para elaborar o Programa nacional de Agroecologia”. Ele foi construído conjuntamente pela âmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica (CIAPO) e por representantes da sociedade civil que formam a ão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO, da qual a CONTAG) e é orientado por 4 eixos: Produção; e Conservação de Recursos Naturais; Conhecimento; e Comercialização e Consumo.

As ações voltadas para mulheres e jovens são transversais em todos os eixos do plano, tendo como base: a ampliação da participação da juventude rural na produção orgânica e de base agroecológica; e a contribuição da redução das desigualdades de gênero, por meio de ações e programas que promovam a autonomia econômica das mulheres.

Segundo Alessandra Lunas, secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais da CONTAG, o PLANAPO firma o compromisso do governo e garante mais apoio à produção da agricultura familiar com sustentabilidade. “Ele é importante porque fortalece o debate sobre a segurança e soberania alimentar e nutricional com alimentos saudáveis, que é um debate político que sempre esteve na nossa agenda.”

Uma das metas do PLANAPO é disponibilizar R$ 655 milhões em segurança hídrica para produção nas unidades de produção familiar, à agroindustrialização e acesso a mercados e para o fortalecimento das dinâmicas sociais e de redes. Espera-se também promover, ampliar e desenvolver iniciativas que contribuam para a redução do uso de agrotóxicos e aplicar R$ 3,4 milhões em ações de fortalecimento à organização da produção orgânica e de base agroecológica no Programa de Organização Produtiva de Mulheres Rurais. Outra meta é fortalecer a autonomia e emancipação da juventude rural na produção orgânica e de base agroecológica, promovendo sua permanência e a sucessão no campo.

Estiveram presentes no ato de aprovação os ministros Gilberto Carvalho (da Secretaria Geral da Presidência da República), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), os Secretários Executivos do Ministério da Agricultura, José Geraldo Fontelles, e do Ministério da Pesca e Aquicultura, Átila Maia da Rocha, além de representantes dos demais ministérios que compõem a Câmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica – Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia, Fazenda e Desenvolvimento Social.

A expectativa é que o lançamento do PLANAPO seja até o início de julho, com a presença da presidenta Dilma Rousseff.



Fonte: Assessoria CONTAG

terça-feira, 28 de maio de 2013

Palestrante da 2ª Rondônia Rural Show, Padre Ton faz a defesa da agroecologia

Criticando o espaço da agroecologia misturada no evento do agronegócio de Rondônia, muitos agricultores orgãnicos rejeitaram a participação no espaço. Apesar disso reproduzimos matéria assinada pela assessoria do deputado Padre Ton:

"Palestrante na 2ª Rondônia Rural Show, evento realizado no Parque de Exposições em Ji-Paraná, o deputado federal Padre Ton (PT-RO) defendeu a Agroecologia durante explanação realizada no sábado (25) com o tema “Políticas Públicas para a Agroecologia e Produção Orgânica”. Estiveram presentes o secretário nacional da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Valter Bianchin; o delegado do ministério em Rondônia Genair Capelini; o secretário de Estado da Agricultura Evandro Padovani e o deputado federal Anselmo de Jesus (PT) entre outras autoridades. 

Os principais objetivos do seminário foram discutir o Plano Nacional de Agroecologia e produção orgânica que está em processo de criação, para apresentar sugestões, levantar os desafios e por fim constituir uma Comissão interinstitucional para reformulação e adequação da legislação estadual tendo como referência o Plano Nacional.

O seminário também destacou a importância da Rondônia Rural Show como vitrine para o agronegócio do Estado, trazendo a discussão da Agroecologia e da agricultura em suas diversas formas. As muitas experiências de Agroecologia no estado e as muitas dificuldades para os agricultores agroecológicos acessarem os programas de crédito foram os principais temas levantados. 

Padre Ton falou sobre seminário que ocorreu semana passada em Brasília, com representação de diversos estados brasileiros. Para o deputado, a agricultura familiar está em desvantagem em relação à agricultura empresarial no tocante a representatividade política: “São poucos os parlamentares que endossam essa causa, que defendem a agricultura familiar, em contrapartida são mais de 200 os parlamentares que defendem o agronegócio empresarial”. Para ele, os agricultores familiares também estão em desvantagem nas políticas de crédito, de assistência técnica e comercialização.

“A agricultura convencional degrada a natureza, contamina o solo, polui os rios, enquanto a agroecologia vai possibilitar manter a biodiversidade e, mais importante, a nossa alimentação”, destacou. Padre Ton lembrou o elevado índice de ocorrência de câncer nas pessoas em Rondônia que vão a Barretos (SP) fazer tratamento, com fortes indícios dessa incidência com a contaminação do solo, das águas e dos alimentos por agrotóxicos. Disse que em algumas cidades os mercados já separam os alimentos agroecológicos ou orgânicos dos demais, gerando encarecimento dos alimentos sadios.

O deputado disse que a Agroecologia encontra barreiras enormes, como bancos e assistência técnica, mas mesmo assim continua avançando com sua produção. Por fim, disse que estão sendo criados espaços, que é preciso aproveitar, como os programas do MDA, a parceria com a Fundação Banco do Brasil e os programas Produção de Aquisição de Alimentos e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)."
fonte assessoria padre ton.